Lucro Real: Como Funciona, Quem Deve Optar e Como São Calculados os Impostos

Quando o empreendedor ouve falar em Lucro Real, é comum imaginar imediatamente um regime complicado, reservado apenas para empresas enormes.

Mas a realidade é um pouco diferente.

O nome ajuda a entender a lógica: no Lucro Real, o cálculo do IRPJ e da CSLL parte do lucro efetivamente apurado pela empresa, considerando os ajustes determinados pela legislação.

Em outras palavras, aqui o lucro da empresa tem um papel central na tributação.

O que é o Lucro Real?

De forma simples, o Lucro Real é um regime tributário no qual o lucro utilizado como base para determinados tributos é obtido a partir da apuração contábil da empresa, com os ajustes previstos na legislação.

Imagine uma loja que faturou R$ 1 milhão, mas teve despesas muito altas e terminou o período com um lucro bem menor.

No Lucro Real, essa realidade econômica pode ter grande importância na apuração dos tributos.

É diferente do Lucro Presumido, em que a legislação utiliza percentuais previamente estabelecidos para determinar a base de cálculo de determinados impostos.

Quem precisa utilizar o Lucro Real?

Existem empresas que estão obrigadas por lei a utilizar o Lucro Real, em razão de características como atividade, faturamento ou outras condições previstas na legislação.

Também existem empresas que podem optar pelo regime.

Por isso, não é correto pensar que o Lucro Real é simplesmente uma escolha entre três opções disponíveis para qualquer CNPJ.

A possibilidade de utilização depende da situação da empresa.

Lucro Real significa pagar mais impostos?

Não necessariamente.

Esse é um dos maiores mitos sobre o regime.

Imagine duas empresas:

A primeira tem uma margem de lucro elevada.

A segunda trabalha com margens pequenas e possui despesas relevantes.

Aplicar exatamente a mesma lógica tributária às duas poderia produzir resultados muito diferentes.

Como o Lucro Real considera o lucro efetivamente apurado para determinados cálculos, ele pode ser interessante em situações nas quais a empresa apresenta margens menores ou resultados que tornam o regime competitivo.

Mas isso precisa ser demonstrado por números.

Por que o controle contábil é tão importante?

Aqui está um ponto fundamental.

Se a tributação depende da correta apuração do resultado, a empresa precisa ter contabilidade e controles confiáveis.

Notas fiscais, receitas, despesas, documentos e movimentações financeiras precisam estar organizados.

Não basta vender e depois tentar descobrir quanto realmente sobrou.

É como administrar uma casa sem anotar as contas: você pode saber quanto entrou, mas não necessariamente sabe quanto realmente sobrou.

Por isso, empresas no Lucro Real precisam tratar a informação contábil com bastante seriedade.

Lucro Real ou Lucro Presumido?

Não existe uma resposta universal.

A comparação deve considerar faturamento, atividade, margem de lucro, despesas, folha de pagamento e demais características da empresa.

Se você está começando essa análise, veja como funciona o Lucro Presumido e quem pode optar por esse regime

Também vale consultar nosso comparativo Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real: qual o melhor regime tributário?

Uma dica para o empresário

Não escolha um regime tributário baseado apenas na alíquota apresentada em uma tabela.

Peça uma simulação completa ao seu contador.

O que parece mais caro olhando apenas um imposto pode apresentar outro resultado quando toda a carga tributária da empresa é considerada.

Em resumo

O Lucro Real não é sinônimo de empresa grande nem de imposto alto.

É um regime baseado em uma apuração mais diretamente relacionada ao resultado efetivamente obtido pela empresa, seguindo as regras tributárias e contábeis aplicáveis.

A pergunta mais importante, portanto, não é:

“Qual regime paga menos?”

É:

“Qual regime faz mais sentido para a realidade da minha empresa?”

Essa mudança de pergunta já é um grande passo para uma gestão tributária mais inteligente.

Alfredo C. Coscia – PJ com Lucro